Em um esperado discurso perante a Assembleia Geral da ONU, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, confirmou nesta sexta-feira o pedido pelo reconhecimento de um Estado palestino independente, dizendo que 'chegou a hora' de seu povo 'ganhar liberdade'.
'Em um momento em que o povo árabe afirma sua luta pela democracia na chamada Primavera Árabe, chegou a hora também da primavera palestina, a hora para a independência', declarou Abbas, pouco depois de ter entregado, formalmente, ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, um pedido pela adesão palestina como membro pleno do organismo.
Abbas afirmou que o reconhecimento internacional de um Estado palestino 'seria a maior contribuição para a paz' no Oriente Médio.
Enquanto isso, um representante do governo israelense qualificou ainda na sexta-feira como 'decepção absoluta' o discurso do presidente palestino, na Assembleia Geral da ONU.
Segundo o mesmo, 'É um discurso que não oferece nada, só contém demonização de Israel, nem programa, nem plano, nem projeto, além de estar acompanhado de algumas mentiras históricas totalmente inaceitáveis', ressaltou o representante israelense.
Entre os episódios que classificou como 'mentiras históricas', a fonte citou a afirmação de Abbas de que a Palestina seria a terra do profeta do Islã, Maomé, e que os palestinos são atualmente o único povo que vive sob ocupação.
'Seria assim se nos esquecêssemos do Saara Ocidental e do Norte do Chipre, só para falar dos casos mais próximos', afirmou o tal representante, que frisou que o discurso de Abbas 'não foi a ponte para a paz' que era esperada.
Em relação ao pedido apresentado por Abbas ao Conselho de Segurança da ONU para o reconhecimento da Palestina como membro de pleno direito da organização, o israelense disse que 'será visto o resultado no momento do voto', porque 'muitos países dizem algo em público e depois outra coisa em particular'.
O tema do voto vai ser muito complicado, e talvez um pouco perverso. O voto na ONU obedece a regras internas da organização, e não ao que está ocorrendo no mundo real', afirmou.
Além disso, a fonte advertiu que o dia seguinte à reivindicação palestina nas Nações Unidas para seu reconhecimento como Estado 'pode ser muito perigoso', já que será preciso considerar o ponto de vista jurídico da validade dos Acordos de Oslo, que estabeleceram a Autoridade Nacional Palestina (ANP).
O pedido de reconhecimento será analisado pelo Conselho de Segurança da ONU, onde desde já enfrenta resistência dos EUA, que têm poder de veto.
Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.
O governo israelense alega que a reivindicação palestina, ao ser levada para a ONU, aumenta as tensões bilaterais e não resolvem as disputas pendentes entre os dois lados.
Na quarta-feira passada, o presidente do país sem nome, Barack Obama, reforçou que 'não há atalhos' para a paz no Oriente Médio.
Em seu discurso, Abbas disse que seu pleito na ONU tem como objetivo dar 'legitimidade' às negociações, atualmente emperradas.
Abbas citou diversas vezes um dos principais impasses dos diálogos: os assentamentos israelenses em território reivindicado pelos palestinos. Vistos como legítimos por Israel, os assentamentos não são reconhecidos pela lei internacional.
'Os assentamentos são o âmago da política colonialista e a causa primária do colapso do processo de paz', disse o presidente palestino, aplaudido diversas vezes durante sua fala.
O discurso foi transmitido em cidades da Cisjordânia, num momento em que os palestinos vêm intensificando os esforços diplomáticos para obter o reconhecimento da ONU e o reconhecimento individual dos países (incluindo o do Brasil, concedido formalmente ainda durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva).
'Nosso povo espera a resposta do mundo', declarou Abbas, dizendo que há uma divisão entre os que acham a população palestina 'dispensável' e 'os que acham que está faltando um Estado no Oriente Médio'.
Principais pontos de desacordo entre palestinos e israelenses.
A questão de Jerusalém, as fronteiras no Oriente Médio, o regresso de refugiados, a água, os assentamentos judeus e o vale do Jordão são alguns dos principais pontos de atrito entre Israel e Palestina.
Os árabes consideram que a solicitação reforçará as oportunidades de resolver um conflito que tem esses seis temas como fonte de discórdia.
1) Jerusalém. A cidade é considerada santa tanto por judeus como árabes. Até o momento, esse é o assunto que menos progrediu nos acordos anteriores de paz.
Os palestinos reivindicam a zona oriental da cidade e oferecem em troca o acesso aos lugares santos aos judeus. Já Israel quer manter controle sobre a região que ocupou em 5 de junho de 1967 e que foi anexada durante a Guerra dos Seis Dias.
2) Fronteiras. Os israelenses se recusam a retornar às fronteiras anteriores a 1967 e devolver territórios que ocuparam na Faixa de Gaza e Cisjordânia, onde existem muitos assentamentos judeus.
Os palestinos exigem o cumprimento da resolução 242 da ONU, que prevê a retirada de Israel da região que ocupou na Guerra dos Seis Dias.
A última proposta israelense, de maio de 2008, aceita devolver 91% da Cisjordânia, mas os palestinos só concordam com a devolução de pelo menos 97% desse território.
3) Os refugiados. Existem quatro milhões de refugiados palestinos vivendo em campos da Cisjordânia, Gaza, Líbano, Síria e Jordânia. O êxodo começou em 1948, com a declaração do Estado de Israel.
A autoridade palestina exige o cumprimento da resolução 194 da ONU, que afirma que os refugiados têm direito a retornar às suas casas, agora dentro das fronteiras israelenses, ou que recebam uma compensação financeira. Israel é contra a medida por questões demográficas.
4) Os assentamentos judaicos. Atualmente, nos cerca de 150 assentamentos erguidos na Cisjordânia, considerados ilegais pela Autoridade Nacional Palestina (ANP) e pela comunidade internacional, vivem 230 mil israelenses, em meio a uma população de 3,4 milhões de palestinos.
Em 2005, iniciou-se o Plano de Desligamento, articulado pelo então primeiro-ministro israelense Ariel Sharon, que previa a retirada das 21 colônias judias da Faixa de Gaza e quatro da Cisjordânia. A iniciativa gerou protestos enérgicos entre a direita nacionalista de Israel.
Já o atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, incentivou a construção dos assentamentos na região, o que tem sido decisivo para o fracasso das negociações de paz propostas pelo presidente americano Barack Obama.
5) A distribuição de água numa região desértica. Oitenta por cento dos recursos hídricos, que abastecem os lares palestinos, são controlados por Israel. Os árabes consideram a quantidades destinada ao seu povo insuficiente (22 galões por dia contra 70 consumidos pelos israelenses, segundo a ANP).
6) Vale do Jordão. Israel quer manter sua fronteira no local, a região mais fértil de seu território, por questões de segurança, mas está disposto a reduzir a presença militar na região se a segurança do país estiver garantida. EFE
Hamas diz que Abbas não deveria implorar por Estado palestino.
Os palestinos deveriam libertar sua terra, não implorar pelo reconhecimento na Organização das Nações Unidas, disse o grupo islâmico Hamas nesta sexta-feira, rejeitando firmemente o pedido do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pela condição de Estado na Assembleia Geral da ONU.
Em declaração feita horas antes de Abbas pedir oficialmente o reconhecimento da ONU para um Estado palestino, um dos dirigentes do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que isso não conduziria à independência.
'Nosso povo palestino não implora por um Estado... Países não são construídos com base nas resoluções da ONU. Estados libertam suas terras e estabelecem suas entidades', disse Haniyeh, que lidera o governo do Hamas na Faixa de Gaza.
O Hamas tomou o controle de Gaza depois de um breve conflito com simpatizantes de Abbas em 2007. O presidente palestino detém o poder no território ocupado por Israel na Cisjordânia, e os recentes esforços para reconciliar os dois lados estão estagnados.
'O povo palestino vem lutando e resistindo e enfrentando dificuldades há mais de 60 anos, oferecendo milhares de mártires, milhares de prisioneiros... para libertar a terra', acrescentou Haniyeh, falando a jornalistas pela manhã.
'O Estado não será criado por meio de barganhas e essa chantagem política', afirmou.
Abbas afirma que está buscando o reconhecimento da ONU porque durante quase duas décadas de diálogos de paz com Israel fracassaram em produzir um tratado duradouro.
No entanto, os EUA disseram que irão vetar qualquer resolução que reconheça um Estado Palestino, argumentando que uma medida unilateral tornará mais difícil assegurar a paz.
Segundo Haniyeh, o veto dos EUA indica que Abbas estava perdendo seu tempo e que deveria, ao invés disso, se concentrar em resolver as divergências políticas com o Hamas. 'Essa é a escolha a ser feita, não ficar correndo atrás de uma miragem', afirmou.
Premiê israelense convida Abbas para negociações de paz.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse na tarde desta sexta-feira na Assembleia Geral da ONU que os palestinos primeiro precisam entrar em paz com Israel para só depois pedir o reconhecimento de seu Estado.
'A paz precisa estar ancorada na segurança e não pode ser alcançada por meio de resoluções da ONU, somente por meio de negociações diretas', disse o premiê israelense, que ofereceu sua 'mão' para todos no Oriente Médio, mas 'especialmente aos palestinos'.
Ele ainda convidou Abbas para negociações sobre a paz imediatas, que começassem ainda no dia de hoje.
'Agora que estamos na mesma cidade, no mesmo prédio, vamos nos encontrar hoje, aqui na ONU. Ninguém nem nada vai nos impedir se isso for realmente nosso objetivo. Vamos falar abertamente e, se Deus quiser, encontrar um caminho comum para a paz', disse.
Netanyahu citou um ditado árabe, que diz que não se pode aplaudir com uma só mão. 'E o mesmo vale para a paz. Não posso alcançar a paz sem você. Estou estendendo minha mão, a mão pacífica de Israel.'
Alguns fatos históricos, quando da criação do Estado de Israel.
Toda aquela área estava no final do século IX e inicio do século XX, sobre a responsabilidade do Reino Unido, que recebeu da Liga das Nações o Mandato Britânico da Palestina, e cabia ao mesmo cuidar das questões políticas, econômicas e administrativas, sem distinção de raça e religião.
Em novembro de 1947, as Nações Unidas recomendaram a partição da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe e uma administração direta das Nações Unidas sob Jerusalém.
A partição foi aceita pelos líderes *sionistas, mas rejeitada pelos líderes árabes, o que conduziu à Guerra Civil de 1947-1948. E Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948.
Desde então, Israel controla territórios além daqueles delineados no Armistício israelo-árabe de 1949. Algumas das fronteiras internacionais do país continuam em disputa, mas Israel assinou tratados de paz com o Egito e com a Jordânia e apesar de esforços para resolver o conflito com os palestinos, até agora só se encontrou sucesso limitado.
* OBS: O Sionismo é um movimento político e filosófico que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel.
EL JABHAR
Na verdade, desde então Israel tem se comportado como baratas - invadindo, como se tudo ali fosse dele, e não existisse ninguém mais.
Enquanto o resto do mundo continuar se comportando com covardia, nunca será criado um estado palestino.
As outras nações do mundo tem que parar de agir, como se a palavra dos Estados Unidos fosse a palavra de Deus.
Pensem bem como funciona, todas as outras nações com direito a voto e veto na ONU, podem votar a favor da criação de um estado palestino, mas como os Estados Unidos do Nada, já anunciaram que votarão contra, o referido estado não será criado.
Outra mais, a ONU atual, não passa de um fantoche, quando da invasão do Iraque e do Afeganistão pelos Estados Unidos, a ONU disse NÃO, mesmo assim o governo dos Estados Unidos na época (George W. Bush, o senhor do mundo) invadiram o Iraque com a desculpa esfarrapada de que no Iraque haviam armas de destruição em massa.
Eu não quero, mas sou obrigado a concordar com o Hamas...
Parte das informações foram extraídas do site: http://www.msn.com/ no link: http://notícias.br.msn.com/
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