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quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Cultura de Pernambuco no olho do Caldeirão‏

FIG 2011 preocupa artistas

POLÍTICA CULTURAL
Produtores e músicos pernambucanos temem que programação do festival passe a ser realizada pela Empetur

AD Luna

Especial para o JC

Quatro meses depois de assumir a Secretaria de Cultura de Pernambuco, que passou a gerir a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), o atual dono da pasta, Fernando Duarte, ainda não apresentou seus projetos para o setor. Nos bastidores, afirma-se que ele está arrumando a casa, para organizar todas as pendências deixadas pela ex-presidente da Fundarpe Luciana Azevedo.

O vácuo, entretanto, abriu espaço para que a Empresa de Turismo de Pernambuco (Empetur) montasse a programação de Carnaval do Estado em 2011. O resultado foi desastroso.

A seleção de artistas foi bastante criticada por produtores, músicos e pelo público das redes sociais, por conta da inclusão de bandas de axé e pagode. Agora, as apreensões voltam-se para o Pernambuco Nação Cultural, série de eventos que abarca o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) – principal vitrine do circuito de shows, palestras, fóruns e mostras que ocorrem em dez cidades-polo do interior do Estado.

Teme-se que, mais uma vez, a Empetur assuma a programação e prejudique a qualidade artística do FIG. O assunto foi levantado em conversas no Twitter, em blogs e no Facebook.

O FIG é um evento consolidado, com uma programação cultural de qualidade, consequentemente, atrai grande público, incrementa a cultura, o turismo e a economia. Não tem porque mudar a gestão e deixar a responsabilidade da grade nas mãos da Empetur, que no último Carnaval montou uma programação de péssima qualidade, comenta o videasta Nilton Pereira, diretor da TV Viva. Nilton participou de uma reunião do setor com o governo do Estado para que artistas mais identificados com a produção local fossem incluídos na programação carnavalesca.

O criador do festival Rec Beat, Antonio Gutierrez, Gutie, reforça a linha de pensamento defendida por Nilton. Em eventos que envolvam dinheiro público, é preciso ter muito cuidado com a programação. Não é por estar na mídia que certas atrações mereçam estar nos palcos de eventos como o Festival de Inverno de Garanhuns, ressalta.

Para Ana Garcia, organizadora do No Ar: Coquetel Molotov, a escolha de nomes nacionais mais conhecidos é importante para manter o interesse do grande público. No entanto, diz que é essencial sempre deixar espaço garantido para novos músicos cujos trabalhos contribuam para a oxigenação da cultura brasileira.

Seguindo uma linha mais iconoclasta, o músico e produtor fonográfico Zé da Flauta dispara: O que eu sei é que está tudo uma zona! O que era para a Fundarpe fazer, não faz por causa da bagunça que foi instalada na gestão passada. Aí, entra o pessoal do Caldeirão (produtores de shows de bandas de pagode e axé) e manda em tudo que é evento cultural do governo. Contrata brega, pagode e forró de plástico, aqueles bregas sanfonados. É muito triste para a cultura local.

China, cantor e apresentador da MTV, cujo programa Na brasa tem servido como vitrine nacional para artistas pernambucanos, ressalta a grandiosidade e riqueza da cultura do Estado. Porém, mostra-se preocupado com supostas influências políticas na formatação da grade artística de eventos públicos. Enquanto não parar de existir conchavos políticos, seremos sempre pisoteados pela máquina, critica.

Fontes da Fundarpe, que preferiram não ser identificadas na matéria, procuraram desfazer as inquietações levantadas, afirmando que a entidade está trabalhando com a perspectiva de que todos os festivais do Pernambuco Nação Cultural continuem sendo organizados pela fundação. Ainda de acordo com uma das fontes, um exemplo disso seria a realização do Nação Cultural do Sertão Central, evento marcado para acontecer entre os dias 23 e 29 de maio, nas cidades de Salgueiro e São José do Belmonte, totalmente organizado pela Fundarpe.

Em relação à política cultural do Estado, a informação é de que o secretário de Cultura, Fernando Duarte, deve anunciar em poucas semanas um novo, geral e amplo projeto de ações na área. Neste plano, estariam incluídos, por exemplo, dispositivos que garantam mais agilidade no pagamento de cachês de artistas e bandas que se apresentem nos eventos promovidos pelo governo. A respeito do Festival de Inverno de Garanhuns, a assessoria de imprensa da fundação informa que a programação ainda não começou a ser trabalhada.

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